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quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Direita Nazista?

Por: Ricardo Jr


O tema que estou abordando hoje é muito mal empregado por parte da esquerdopátia brasileira, pseudos intelectuais usam o termo "Nazistas" para taxar as pessoas que tem a ideologia direitista. A corrente de pensamento direitista possuem suas ramificações, a exemplo dos liberais, conservadores,  e etc. Talvez em outra postagem explico de acordo com a minha visão o que é ser de direita.



Contexto histórico

Vamos agora fazer uma viagem no tempo. Em 1920, o senhor Anton Drexler, fundou o Partido dos Trabalhadores Alemães. (DAP) Com o passar do tempo o partido na Alemanha foi crescendo e ganhando novos membros, um deles, fora o enigmático Adolf Hitler, que havia recebido do exercito a missão de espionar para saber quais eram as reais pretensões do partido, já que naquela época haviam muitas agitações e várias facções políticas estavam lutando para tomar o poder da frágil recém criada  republica  Alemã, republica essa que evidentemente estava enfraquecida por conta da derrota da primeira guerra mundial.

Hitler ao conhecer o partido, ficou encantado com a ideologia já ANTI SEMITA e revanchista do partido dos trabalhadores, resolveu então abandonar o exercito e entrar pra vida política, seus discursos nas reuniões em uma cervejaria em Munique foi impressionando as massas que ouviam, tornando-o mais tarde em uma figura "carismática", tal carisma lhes rendeu a chefia suprema do partido. 
Ao analisar com seus conchaves políticos a pouca abrangência do nome do partido, Hitler então acrescentou outras palavras que iria consequentemente chamar a atenção das diversas massas populares. 

Sendo assim, o partido passou a se chamar "Partido Nacional Socialista dos Trabalhadores Alemães"(Conhecido como PARTIDO NAZISTA). Nacional, porque exaltava o nacionalismo supremo do partido,o amor incondicional a Alemaanha. Socialista, porque batia de frente com a corrente que Hitler mais odiava, os capitalistas Judeus, pois, eram os Judeus os detentores das maiores riquezas da Alemanha, e por perder a guerra e pelo caos que o pais enfrentava ele os culpavam por isso, e queria tomar suas terras através da política socialista agraria, na qual o estado iria assumir o controle de todas as riquezas do país, é claro que ele só usou essa política para fabricas, comércios, hospitais do povo judeu, os demais o estado não interveio. Trabalhadores? a palavra trabalhador era pra chamar a atenção das classes trabalhistas que se encontravam sem trabalho, e utilizando desse momento difícil economicamente, Hitler preparou sua política encima justamente do caos econômico que o país vivera, atrelando os motivos a derrota na primeira guerra a raça Judia, a qual ele chamava de "escória do povo alemão". Não vou contar o resto da história, pois todos já sabem.

Breve Analise

Agora analisemos, o partido nazista era socialista, onde já se viu um partido socialista ser de direita?Hitler adotou na Alemanha medidas similares aos de Stalin da URSS, aumentou a jornada de trabalho do seu povo, eliminou todos os seus opositores, cultuava a sua imagem, e possuía o controle total dos meios de comunicação da nação. A diferença é que Hitler transformou em tão pouco tempo uma nação falida em uma superpotência. Ambos foram criminosos de guerra, genocidas, sanguinareos, o Hitler é abominado pela história, por conta, do HOLOCAUSTO JUDEU, mas e Stalin? Poucos são os que falam a verdade sobre esse outro monstro que criou campos forçados de trabalho chamados de "GULAGUES", e que também matou milhares, não só opositores ao seu governo, prisioneiros de guerra, como também ao seu próprio povo de fome. 

O meio de defesa das atrocidades cometidas pela esquerda é nega-las e joga-las para a direita, sim, a esquerda matou muito mais do que os governos de direita que ja passaram pelo mundo. Matou e continua matando. Pode um partido socialista ser de direita? Jamais!



sexta-feira, 3 de outubro de 2014

Centro entrega lista de nazistas que podem estar vivos

Centro Simon Wiesenthal entregou à Justiça da Alemanha uma lista de 80 nazistas que ainda podem estar vivos


Adolf Hitler

Jerusalém - O Centro Simon Wiesenthal, que persegue ex-criminosos nazistas, entregou à Justiça da Alemanha uma lista de 80 ex-membros dos Einsatzgruppen, os esquadrões da morte do Reich de Adolf Hitler, que ainda podem estar vivos, indicou o diretor da organização, Efraim Zuroff.

"Enviamos à justiça alemã uma lista de 80 membros dos Einsatzgruppen", declarou Zuroff à AFP em Jerusalém.
Os comandos paramilitares Einsatzgruppen foram responsáveis ​​pela morte de mais de um milhão de judeus nos territórios conquistados na ex-União Soviética, Polônia e no Leste Europeu, indica o Centro Wiesenthal em um comunicado.
Os 76 homens e quatro mulheres, cujos nomes foram fornecidos aos ministros da Justiça e do Interior da Alemanha, nasceram entre 1920 e 1924 e são "os que têm mais probabilidade de estarem vivos e saudáveis o suficiente para serem processados", afirmou.
Além dos poucos ex-membros dos Einsatzgruppen, "consideramos que 2% dos ex-criminosos nazistas ainda estão vivos, e quase metade ainda podem ir a julgamento", disse Zuroff.
Os Einsatzgruppen, formados sob a liderança do SS Reinhard Heydrich, um dos principais arquitetos do Holocausto, desempenharam um papel de liderança na implementação da "solução final".
Eles foram usados ​​primeiramente para parar os comunistas checos e opositores alemães, e eliminar elementos "indesejáveis" da população alemã.
Eles, então, estenderam suas missões contra populações civis, em apoio ao exército alemão, atacando as elites polonesa e judaica, comunistas soviéticos e ciganos.
Fonte:http://exame.abril.com.br/

sábado, 26 de julho de 2014

O Brasil antes da Segunda Guerra Mundial

Por: João Barone
Nas duas décadas posteriores ao final da Primeira Grande Guerra, o Mundo passou por grandes aflições que se estenderam até o começo da década de 30, quando as grandes potências econômicas tentavam se reerguer da crise de 1929, impérios tentavam manter seus domínios geopolíticos, a ideologia comunista se espalhava pelo planeta e regimes de extrema direita afloravam em resposta à expansão do comunismo. No Brasil, Getúlio Vargas subia ao poder, configurando uma das muitas ditaduras que despontavam pela América Latina. O caudilho brasileiro estava decidido a levar o país no caminho do desenvolvimento, mas encontrava grandes dificuldades em conseguir dinheiro e parceiros comerciais no cenário global. Os americanos não estavam dispostos a financiar a siderurgia no Brasil, mas incrementavam as relações comerciais.
O Brasil parecia fadado ao papel de economia agrícola, quando começou a intensificar trocas comerciais com a Alemanha nazista, que prometia investimentos no país e até mesmo a tão sonhada primeira siderúrgica nacional. No final dos anos 30, o Brasil conseguiu até mesmo comprar material bélico alemão para reequipar suas forças armadas, que necessitavam se modernizar urgentemente. A presença alemã na América do Sul aumentava, sendo que no Brasil, o número de integrantes do partido nazista chegou a ser o maior fora da Alemanha. Vargas tinha uma relação cordial com o ditador fascista italiano Benitto Mussolini e a polícia repressiva do Estado Novo - nome do regime que Vargas impôs em 1937 - fez um intercâmbio anticomunista com a famigerada Gestapo de Hitler. Os ideais nazifascistas pareciam encurralar as democracias para um beco sem saída e o ditador Vargas seguia esta cartilha ao pé da letra.
Mesmo com o começo da Segunda Guerra Mundial na Europa em setembro de 1939, o Brasil manteve-se neutro e as relações diplomáticas e comerciais seguiam com italianos e alemães, o que chegou a incomodar os americanos, mais pela ameaça da perda da hegemonia comercial do que por outra razão, pois os Estados Unidos ainda se mantinham isolados do conflito, apesar do veemente  apoio do presidente Roosevelt à Inglaterra. O bloqueio naval imposto aos nazistas pela Inglaterra e França não impediu que navios mercantes alemães continuassem ousadamente realizando suas rotas indo e vindo do Brasil, levando para o Reich importantes matérias primas de toda sorte, como minerais, algodão, couro e café.Navios de guerra ingleses vieram até o Atlântico Sul para afundar e confiscar navios mercantes inimigos, que contavam com a cobertura de naus de guerra da Marinha Alemã.

Couraçado Admiral Graf Spee, navio de guerra da Marinha da Alemanha

Não foi à toa que a primeira batalha naval da Segunda Guerra Mundial aconteceu na foz do Rio da Prata em dezembro de 1939, com a caçada e cerco ao lendário couraçado de bolso Graf Spee - que havia afundado um navio inglês na costa pernambucana em setembro - empreendida por uma flotilha inglesa. O moderno navio alemão foi avariado e buscou refúgio no Porto de Montevidéu, onde foi destruído por seu comandante para que não fosse capturado pelos ingleses. A guerra começava a chegar perto do Brasil.

Fotos: Blog do Chico Miranda
Fonte:http://seuhistory.com/

terça-feira, 22 de julho de 2014

A verdadeira Primeira Guerra pode ter ocorrido há 13 mil anos

Às vésperas da comemoração do centenário da Primeira Grande Guerra Mundial, pesquisadores descobrem vestígios de um confronto bélico de grandes proporções, o mais antigo que se tem notícias. As guerras não são uma novidade da história moderna do mundo.

Sua tradição está presente em todas as civilizações, desde os primórdios da humanidade. De acordo com um estudo recente, realizado por pesquisadores franceses sobre restos humanos encontrados nas margens do Rio Nilo, o primeiro grande conflito armado teria acontecido há 13 mil anos, e durou muitos meses.

Uma investigação paralela feita por antropólogos ingleses e norte-americanos revelou que a causa mais provável tenha sido uma disputa sobre diferenças raciais. Essa teoria se baseia na etnia dos esqueletos encontrados, pertencentes ao povo subsaariano, os mais primitivos ancestrais da raça negra contemporânea. Seus inimigos poderiam pertencer a outra etnia, mais precisamente ao povo levantino, que habitava a região do Mediterrâneo.

Os dois grupos tinham características físicas bastante diferentes, além de grandes discrepâncias culturais e linguísticas, o que poderia ter causado uma grande disputa pelos recursos naturais do lugar. Tudo indica que o enfrentamento tenha ocorrido durante uma época de grandes mudanças climáticas, após um período de resfriamento global, que promovia grandes migrações de pessoas em busca dos poucos alimentos e outros recursos de subsistência disponíveis.
Assim teria começado a longa e triste história das grandes guerras mundiais.
Fonte e imagens: The Independent

sábado, 19 de julho de 2014

Os sete mitos da conquista da América

Como poucas centenas de espanhóis submeteram milhões de índios, alguns tão desenvolvidos quanto as mais avançadas civilizações européias?


Nem bem o sol iluminou o lago Texcoco, no imenso Vale do México, os dois maiores líderes do Novo Mundo colocaram-se frente a frente. Era 8 de novembro de 1519 e havia anos que espanhóis e nativos se pegavam em violentas batalhas nas terras recém-descobertas da América. De um lado, Hernán Cortez personificava a figura do conquistador europeu como ninguém. Do outro, o todo-poderoso imperador asteca Montezuma II permanecia impassível. Apesar da expectativa de um encontro amigável, a tensão era tão óbvia quanto inevitável. Espanhóis e astecas trocavam olhares, até que Montezuma desceu de sua pequena tenda e foi em direção aos invasores. Cortez repetiu o gesto. Saltou do cavalo e seguiu ao encontro do imperador. A tensão aumentava a cada passo. Olhos nos olhos, eles esboçaram saudações de respeito mútuo, mas não trocaram mais do que poucas palavras, com a ajuda de um intérprete. De qualquer forma, a diplomacia prevaleceu. E, pacificamente, todos tomaram o rumo de Tenochtitlán, a capital do império asteca. Alguns meses depois, os dois lados voltariam a se encontrar. Mas, desta vez, numa sangrenta batalha que culminaria com a morte de Montezuma e faria de Cortez o homem mais poderoso do América espanhola.
Até hoje, muitos historiadores consideram este episódio como o maior símbolo do encontro entre dois continentes. E não por acaso. Pela primeira vez, um imperador nativo acolheu em suas terras o representante de um povo que estava ali justamente para conquistá-las. Além disso, as diferenças culturais entre os dois grupos nunca estiveram tão expostas quanto naquela manhã de novembro. Estas diferenças, além das idiossincrasias do século 16, ajudaram a perpetuar pelos séculos o que o historiador americano Matthew Restall, professor da Universidade da Pensilvânia, chama de “sete mitos da conquista espanhola das Américas” em seu livro Seven Myths of the Spanish Conquest (inédito em português)
Esses mitos podem ser identificados na figura de Cortez, até hoje citado por sua genialidade militar, pela forma como usou e inovou a tecnologia disponível na época, pela maneira astuta como manipulou “índios supersticiosos” e pelo modo heróico com que levou algumas centenas de espanhóis à vitória, contra um império de milhares de guerreiros. Mas a história não foi bem assim. Desde a primeira vez que Cristóvão Colombo pisou nas ilhas do Caribe, os homens enviados para cá se encarregaram de capitalizar o feito em benefício próprio, aumentando uma coisinha aqui, inventando uma ali.
Meia dúzia de aventureiros
O mito dos homens excepcionais e seus feitos extraordinários
Cristóvão Colombo estava em algum lugar do Atlântico, em 1504, quando a rainha da Espanha enviou uma esquadra para prendê-lo e levá-lo acorrentado para a Europa. Desde sua primeira viagem pelo Novo Mundo, seu prestígio já não era o mesmo. Sua insistência na mentira de que havia achado uma nova rota para as Índias, fato que lhe rendeu títulos e status, havia deixado a coroa espanhola irritada depois que Vasco da Gama contornou o Cabo da Boa Esperança e deu aos portugueses a liderança na corrida por um caminho mais curto para o Oriente.
A fama de Colombo estava irreversivelmente abalada, ele caiu em descrédito e tornou-se um pária. Mas como, depois de morto, ele se tornaria um herói? Para Restall, a idéia de que ele foi um visionário, um homem à frente de seu tempo surgiu durante as comemorações do tricentenário da descoberta da América, num país que também acabava de nascer: os Estados Unidos. Colombo foi tomado como símbolo dessa nova terra: aventureiro, destemido, um gênio a frente de seu tempo. “Mas a coisa mais espetacular sobre a visão geográfica de Colombo era a de que estava errada. A percepção de que a Terra era redonda, fato geralmente citado para imputar-lhe a condição de visionário, por exemplo, era comum a qualquer pessoa escolarizada da época”, diz Restall.
Esse é só um exemplo do mito de que a conquista da América só foi possível graças à coragem e à genialidade de meia dúzia de conquistadores e que surgiu desde os primeiros relatos dos colonizadores enviados à Espanha. Para obter a permissão de explorar novas terras, eles precisavam provar que a colonização era rentável e, para tanto, escreviam qualquer lorota: omitiam fatos, inventavam histórias, exaltavam a si mesmos. Hernán Cortez e Francisco Pizarro, responsáveis pelos tombos dos impérios asteca e inca, respectivamente, foram especialmente beneficiados por tais relatos e elevados à categoria de heróis. Biógrafos, cronistas e religiosos que participaram das expedições ajudaram a construir esta imagem, por meio das cartas enviadas à coroa, chamadas de probanzas de mérito (ou “provas de mérito”).
Pelo menos num ponto, porém, os relatos tinham razão: a desvantagem numérica dos espanhóis – fato que os levou a derrotas freqüentemente ignoradas nas tais probanzas de mérito. Como, então, os conquistadores conseguiram expandir seus domínios e subjugar milhares de nativos? A resposta não está na genialidade militar de Cortez ou Pizarro. Em nenhum momento eles apresentaram novas táticas de guerra e, na maior parte do tempo o que fizeram foi seguir rotinas adotadas em conflitos anteriores ao descobrimento. Uma das mais importantes foi a aliança com os nativos (que veremos mais adiante). Mesmo assim, eles não abriram mão de procedimentos igualmente eficientes, mas que nada tinham de inventivos: o uso da violência indiscriminada para intimidar os resistentes. Nos casos extremos, pessoas eram decepadas ou queimadas vivas em praça pública, tinham braços e mãos amputados e suas famílias recebiam seus corpos, o que costumava garantir a submissão de outros nativos.
Nem pagos, nem forçados
O mito de que os espanhóis que desembarcaram na América eram todos militares
A esquadra de Colombo mal aportou na praia da ilha de Hispaniola, no Caribe, e um grupo de soldados já estava perfilado na areia. Vestiam armaduras reluzentes, carregavam as mais potentes armas da época e aguardavam apenas a ordem de seu capitão para marchar em direção às terras do Novo Mundo. Disciplinados, estavam prontos para enfrentar o inimigo. Faziam parte de uma grande operação militar. Afinal, eram soldados. Esta cena jamais aconteceu, mas passa a idéia, constantemente repetida em filmes, ilustrações e livros, de que os conquistadores eram militares enviados pelo rei e faziam parte de uma máquina de guerra.
Mas, então, quem eram eles? Nobres aventureiros ou plebeus em busca da terra prometida? A rigor, nem uma coisa, nem outra. Em sua maioria, os espanhóis eram artesãos, comerciantes e empreendedores de pequeno porte, com menos de 30 anos de idade, alguma experiência em viagens desse tipo e sem qualquer treinamento militar. Armavam-se como podiam e entravam na primeira companhia que pudesse lhes render a quantia necessária para investir em outras expedições. Assim, poderiam acumular riquezas até receber as chamadas encomiendas – ou seja, o direito de cobrar taxas e impostos sobre a produção de uma determinada área conquistada e faturar em cima do trabalho de um grupo de nativos.
A maioria dos conquistadores não recebia ajuda financeira da coroa. Em geral, viajava por sua conta e risco em busca de status e dinheiro. Ou, no máximo, tinha um vínculo com eventuais patrocinadores, em nome dos quais as terras recém-descobertas eram exploradas. De qualquer forma, eles não eram pagos, tampouco obrigados a viajar. E muito menos soldados aptos a lutar pelos interesses da Coroa.
Guerreiros invisíveis
O mito de que poucos soldados brancos venceram milhares de guerreiros índios
Quando o conquistador Bernal Díaz de Castillo viu a capital asteca pela primeira vez, não conseguiu descrever a visão que teve do alto do Vale do México. A metrópole pontilhada de pirâmides, irrigada por canais navegáveis, engenhosamente construída para ser a referência de outras grandes cidades do império, poderia ser comparada às maiores capitais européias. Uma pergunta talvez lhe tenha surgido: como poucos de nós poderemos subjugá-la? Seguindo o mesmo raciocínio, como apenas centenas de europeus poderiam vencer os milhões de índios espalhados pelo continente? Nem a “genialidade” de seus líderes, a pólvora ou o aço espanhol dariam conta. Há algumas respostas para essas questões.
A primeira é que os espanhóis sempre foram minoria nos campos de batalha da América, mas jamais lutaram sozinhos. Os nativos nunca formaram uma unidade política, nem no caso de astecas e maias, que fosse imune às rivalidades e intrigas. E os conquistadores se aproveitaram, desde muito cedo, dessa desunião, conseguindo formar verdadeiros exércitos índios, dispostos a eliminar seus inimigos. Na primeira vez que Cortez chegou a Tenochtitlán, mais de 6 mil aliados davam cobertura aos espanhóis, que eram cerca de 200. Na batalha final, alguns meses depois, ele conseguiu reunir mais de 200 mil homens para tomar a capital asteca. “As pessoas tendem a imaginar que os povos americanos eram unidos em torno de uma identidade nativa. Na verdade, acontecia o contrário. Quando os espanhóis chegaram à América, encontraram várias tribos rivais, que não precisavam de mais que um empurrãozinho para entrar em conflito”, afirma Restall.
Além disso, no final do século 16, cerca de 100 mil africanos desembarcaram na América. A princípio, eles trabalhavam como serventes e auxiliares dos espanhóis, mas, sempre que necessário, recebiam armas para lutar contra os inimigos. Como recompensa, ganhavam a liberdade e logo eles também se tornavam conquistadores.
Sob a tutela do rei
O mito de que, em pouco tempo, toda a América estava sob jugo espanhol
Palavras de Cortez: “Deixei a província de Cempoala totalmente segura e pacificada, com 50 mil guerreiros e 50 cidades. Todos estes nativos têm sido e continuam sendo fiéis vassalos de Vossa Majestade. E acredito que eles sempre serão”. A carta de Cortez enviada ao rei da Espanha dá uma boa idéia de como funcionava a burocracia da conquista. Para o monarca, não bastava o conquistador encontrar uma terra e reivindicar o direito de explorá-la. Ele precisava convencê-lo de que aquela região era economicamente viável, de preferência com minas de ouro e prata, e contava com mão-de-obra para tirar dali tais riquezas. Como resultado, os líderes espanhóis não pensavam duas vezes antes de carregar seus pedidos com informações exageradas.
Essa combinação de fatores contribuiu para a criação do mito de que a conquista total dos povos americanos foi alcançada logo nos primeiros anos da presença espanhola. Muitas cidades, no entanto, resistiram à dominação durante décadas. No Peru, alguns estados independentes só foram dominados depois de 1570, após a morte de líderes como Túpac Amaru. Quando os espanhóis fundaram Mérida, em 1542, boa parte da península de Yucatán, na América Central, permaneceu sob a influência dos maias – e muitas políticas elaboradas por eles sobreviveram até 1880. A experiência espanhola na atual Flórida, nos Estados Unidos, foi ainda mais desastrosa. Pelo menos seis expedições foram enviadas para lá entre 1513 e 1560, quando a região finalmente foi controlada pelos europeus. Mas um dos exemplos mais curiosos vem da bacia do Prata, onde os fundadores de Buenos Aires, em 1520, viraram jantar de tribos canibais.
Outro aspecto que mostra que a conquista não foi total era a relativa autonomia que alguns nativos mantiveram em relação aos seus dominadores – condição sancionada pelos próprios oficiais espanhóis, que procuravam não intervir nas regras que vigoravam antes de eles chegarem. E não por acaso. Esta era mesmo a melhor forma de garantir a manutenção das fontes de trabalho e da produção agrícola. Além disso, membros da elite nativa participavam dos conselhos das cidades coloniais, onde eram tomadas as decisões mais importantes. Ou seja, além de continuar influenciando politicamente, eles mantiveram o status que tinham antes da descoberta.
As palavras de La Malinche
O mito de que a falta de comunicação levou ao massacre indígena
Foi na praça central da cidade inca de Cajamarca que Pizarro e Atahualpa se viram pela primeira vez, em 1532, numa espécie de versão peruana do encontro entre Montezuma e Cortez. Ao lado do conquistador, menos de 200 homens armados pareciam não temer os mais de 5 mil nativos leais ao imperador. E, de fato, eles não tinham porque se intimidar: a maioria dos locais não possuía uma arma sequer. O primeiro espanhol a se aproximar de Atahualpa foi um frei dominicano que segurava uma pequena cruz numa das mãos e a Bíblia na outra. Em poucos minutos, a batalha havia começado. Mas, apesar da desvantagem numérica, os invasores conseguiram dizimar um terço dos nativos. Atahualpa foi capturado.
Há várias versões sobre os motivos que causaram a briga e sobre como a batalha de Cajamarca começou. Francisco de Jerez, presente no local, escreveu que o imperador atirou a Bíblia ao chão, porque não a entendia. A blasfêmia teria sido o motivo para Pizarro dar o sinal de ataque. Na versão inca, no entanto, a ofensa partiu dos espanhóis, que teriam se recusado a tomar uma bebida sagrada oferecida por Atahualpa.
É praticamente impossível saber o que aconteceu de fato naquele dia, mas o encontro sangrento entre incas e espanhóis é um bom exemplo de como as supostas falhas na comunicação serviram para justificar as ações dos europeus e, por conseqüência, a própria conquista. Mas estas falhas não eram tão freqüentes assim. O diálogo entre Montezuma e Cortez, por exemplo, apesar de ter gerado diferentes interpretações, mostra que os dois lados podiam se entender muito bem. Isso graças a uma figura central durante todo o processo de colonização: os intérpretes. O papel deles foi tão importante que um dos principais procedimentos de guerra era justamente encontrar e “formar” tradutores. Alguns destes tradutores se deram tão bem que alcançaram status inimagináveis para um nativo. Receberam encomiendas e chegaram a ser citados nas cartas enviadas ao rei. O exemplo mais famoso é o de La Malinche, a amante e intérprete que acompanhou Cortez durante anos e esteve presente no encontro com Montezuma.
O fim dos índios
O mito de que a conquista só trouxe desgraça para os nativos
A derrota de Cortez era inevitável. Havia horas que ele e seus guerreiros lutavam contra a união de três exércitos inimigos na grande praça central de Tlaxcala, uma comunidade nativa aliada aos espanhóis, e a derrocada do conquistador se aproximava a cada golpe. Finalmente ele seria vencido. E foi mesmo. Ainda no chão, Cortez pôde ouvir os aplausos efusivos da platéia. Aquela encenação do dia de Corpus Christi ficou conhecida como o evento teatral mais espetacular e sofisticado do ano de 1539. Numa curiosa inversão de papéis, o conquistador interpretou o Grande Sultão da Babilônia e Tetrarca de Jerusalém. O papel dos reis da Espanha, Hungria e França ficou com os nativos da comunidade.
O Corpus Christi de Tlaxcala não foi o único festival do século 16 no Novo Mundo. A imensa maioria das colônias da Mesoamérica e dos Andes encenou, dançou e até representou as batalhas contra os espanhóis. Muitas dessas manifestações culturais sobrevivem até hoje. Mas o curioso é que o objetivo não era reconstruir a conquista como algo traumático. Ao contrário. Para os nativos, os festivais significavam uma celebração de sua integridade e vitalidade cultural. “Eram eventos que transcendiam aquele momento histórico particular e não estavam associados à lembrança de algo ruim. Até porque o sentimento de derrota não era algo comum a todos os povos nativos”, afirma Restall.
Manifestações desse tipo eram apenas uma das formas pelas quais os nativos mostravam que o impacto da conquista não foi tão traumático quanto sugere boa parte da retórica comum. Muitas comunidades mantiveram seu estilo de vida e outras tantas evoluíram rapidamente com a necessidade de se adaptar às novas tecnologias e demandas trazidas pelos espanhóis. Aprenderam novas formas de contar, construir casas, planejar cidades e, sobretudo, guerrear. Assim, houve nativos que enriqueceram com o comércio de alimentos e com o aluguel de mulas. O povo Nahua, por exemplo, depois de lutar ao lado dos espanhóis por anos, organizaram campanhas militares próprias e expandiram seus domínios para além das terras onde hoje estão Guatemala, Honduras e parte do México.
Macacos e homens
O mito da superioridade e da predestinação dos europeus
“Os espanhóis têm a governar estes bárbaros do Novo Mundo. Eles são em prudência, ingenuidade, virtude e humanidade tão inferiores aos espanhóis quanto as crianças são para os adultos, e as mulheres, para os homens”, escreveu o filósofo Juan Ginés de Sepúlveda, em 1547. O mito da superioridade espanhola é visto em todos os relatos do período colonial. Para Restall, ele vem desde as primeiras expedições e está ligado à justificativa de que os europeus tinham a aprovação divina para conquistar novas terras. Eles acreditavam que eram os escolhidos de Deus, os encarregados de levar o cristianismo a outros povos.
Existem outros fatores, no entanto, que ajudaram a perpetuar este mito. Um deles combina a crença de que os nativos seriam incapazes de evitar a invasão dos europeus porque eles (os nativos) também acreditavam que os espanhóis eram deuses. De fato, os povos americanos enxergavam os conquistadores como seres poderosos, mas em nenhum momento – nem mesmo nos relatos dos cronistas do período colonial – os nativos comparam os espanhóis a seres supremos, ou deidades. Além disso, a diferença brutal entre as armas dos dois grupos também ajudou a construir a idéia da superioridade espanhola.
Mas Deus não foi o principal aliado dos espanhóis. A expansão dos europeus só foi possível graças a três fatores. O primeiro e mais determinante foram as doenças que os estrangeiros trouxeram. Sem oferecer nenhuma resistência para varíola, sarampo e gripe, os nativos morreram tão rápido que em poucas décadas tribos inteiras foram extintas. O impacto das epidemias foi tão devastador que, um século e meio após a chegada de Colombo, a população de nativos havia caído mais de 90%. Os astecas sentiram o poder desses males. “As ruas estavam tão cheias de gente morta e doente que nossos homens caminhavam sobre corpos”, escreveu o padre Bernardino de Sahagún, quando os conquistadores tomaram Tenochtitlán.
O segundo aliado foi a desunião dos nativos. A rivalidade entre diferentes grupos étnicos e intrigas entre vizinhos levou dezenas de milhares de pessoas a lutarem ao lado dos espanhóis. As armas que os conquistadores trouxeram para estas batalhas são o terceiro fator mais importante. Nas primeiras expedições, várias delas fizeram diferença. Cavalos e até cachorros acabaram entrando nos campos de batalha. Mas a mais eficiente foi mesmo a espada, mais longa e resistente que os machados dos nativos. No campo da guerra, Matthew Restall considera ainda um outro fator. Os nativos lutavam em sua própria terra. Precisavam, portanto, proteger a família, defender suas casas, pensar no plantio, calcular a colheita e fazer o possível para não deixar que a guerra prejudicasse e interferisse no seu dia-a-dia. Por isso, eles sempre estiveram mais dispostos a negociar e a protelar os confrontos com os conquistadores. Já os espanhóis não tinham muito a perder. Basicamente, precisavam se preocupar apenas com suas próprias vidas. E com o que teriam de fazer para continuar conquistando novas cidades e acumulando mais riquezas.
Fonte:http://guiadoestudante.abril.com.br/

terça-feira, 15 de julho de 2014

Por que Hitler odiava os judeus?

O anti-semitismo tem raízes religiosas milenares

Para compreender o anti-semitismo, é fundamental diferenciá-lo do antijudaísmo. O antijudaísmo é o ódio à religião judaica como ideologia ou visão de mundo, enquanto o anti-semitismo é o ódio aos judeus como nação. Entretanto, aqueles que professam o antijudaísmo acabam sendo anti-semitas, uma vez que partem do pressuposto de que a religião judaica contaminou a nação que segue seus preceitos. Por sua vez, o anti-semitismo desemboca no antijudaísmo, ao sustentar-se na premissa de que só uma nação racialmente inferior pôde ter criado uma religião tida como a religião do Mal.


Na Antiguidade, seitas esotéricas conceberam a religião judaica como a religião do demônio e viam os judeus como os agentes na propagação dessa re-Religião do pecado. Essa cosmovisão foi resultado de uma crença dualista, isto é, em dois poderes criadores do universo: o Bem e o Mal, identificando os judeus com o Mal, o que os colocou no papel do mal cósmico e os viu como instrumento do demônio. Todavia, o momento histórico no qual se entrelaçam pela primeira vez e de forma radical antijudaísmo e anti-semitismo é na consolidação da visão paulina. Para o apóstolo Paulo, a revela-ção da Torá é uma revelação temporária, e aqueles que continuam no caminho da Torá após a chegada de Cristo são traidores. Segundo esse raciocínio, os judeus, ao rejeitarem Cristo como Messias e ao assassiná-lo, transformaram-se em agentes do Mal, no povo deicida.

Ao longo de toda a Idade Média, essa idéia foi desenvolvida e materializada pela Igreja católica. É de se destacar os cânones adotados no Concílio de Latrão (1215) que confirmavam a condenação dos judeus à servidão perpétua, proibiam sua integração na sociedade com o objetivo de impedir a contaminação dos cristãos, obrigavam o uso de signos de diferenciação nas vestes, impediam o acesso dos judeus aos cargos administrativos e os excluíam completamente da agricultura e das corporações. Essas medidas enraizaram na população um ódio milenar baseado numa ideologia demonizadora que culpou os judeus e o judaísmo pela morte de Cristo.

O termo anti-semitismo foi criado no século 19, quando as teorias religiosas que acusavam os judeus de deicídio ficaram caducas. Nesse momento, a partir de uma leitura tergiversada das teorias ligadas ao darwinismo social, o motivo para perseguir os judeus começou a ancorar-se em pressupostos biológicos. Assim, para Hitler, existiam três raças: as “fundadoras” ou superiores, representadas pelos povos germânicos, as “depositárias”, pelos povos eslavos, e as “destruidoras” ou inferiores, que tinham nos judeus o exemplo paradigmático. Obcecado com o ideal de pureza racial, Hitler compreendeu a História como uma permanente luta entre as diferentes raças, na qual a raça superior devia utilizar todos os meios necessários para manter sua pureza. A essa visão histórica foi acrescentado o mito da “conspiração judaica mundial”, fortemente difundido em toda a Europa que, entre outras falácias, divulgou a ideia do poder econômico do povo judeu e do seu monopólio dos meios de comunicação. Os judeus foram transformados no bode expiatório e culpados de todos os males pelos quais atravessava a Alemanha, fazendo com que sua eliminação se tornasse um imperativo de Estado.

Muitos ignoram que os campos de extermínio não estavam na Alemanha, mas na Europa do leste. Isso visava poupar os alemães do “trabalho sujo” e permitia aos poloneses, ucranianos e lituanos, acérrimos anti-semitas de longa data, colaborar ativamente com o ideal nazista de aniquilação total dos judeus. Nas cidades polonesas de Jedwabne, Radzilow, Wasosz e Stawinski, por exemplo, os moradores assassinaram milhares de judeus, sem nenhuma imposição dos ale-mães. Se algum episódio exemplifica o enraizado anti-semitismo polonês, ele é a matança de judeus depois de finalizada a guerra. O pogrom de Kielce (1946), um entre muitos, permanecerá na história polonesa como um dos maiores atos de covardia coletiva, no qual 42 sobreviventes do Holocausto foram assassinados pelos vizinhos. Por quê? Medo destes de ter de devolver, a seus donos judeus, as casas que haviam ocupado ilegalmente.

*Antropóloga e pesquisadora do Programa de Língua Hebraica, Literatura e Cultura Judaicas da Universidade de São Paulo (USP)

sábado, 12 de julho de 2014

Franklin Roosevelt, Churchill, Stálin: Os três grandes

                       Churchill, Roosevelt e Stálin                                      
Durante a Segunda Guerra Mundial, os líderes de Grã-Bretanha, Estados Unidos e Unão Soviética tiveram nas mãos o destino de milhões de pessoas. Aliados contra a Alemanha nazista, esses homens de origens tão distintas se encontraram em Teerã (1943), Ialta e Potsdam (1945) para redesenhar as fronteiras de uma nova Europa. O mundo nunca mais seria o mesmopoucas vezes na história três estadistas de origem tão diversa e passado político tão distinto estiveram reunidos para decidir sobre o destino de tanta gente.

Somente uma guerra sem precedentes poderia unir aqueles três homens, que representavam coisas tão contrárias, ao redor de uma mesma mesa de negociações. Pelos Estados Unidos, lá estava Franklin Roosevelt, com 61 anos, filho predileto de um clã político poderoso que havia mais de meio século mantinha estreitos vínculos com o poder (seu tio Theodore Roosevelt também fora presidente). Em nome do Império Britânico, o primeiro-ministro Winston Churchill, 69 anos, orgulhoso de seus antepassados aristocráticos, entre eles Lord Malborough, célebre capitão-de-armas do século 18. Na outra ponta, o general Joseph Stálin, líder soviético, 64 anos,filho de um sapateiro da Geórgia.

Roosevelt era um entusiasta da democracia e do capitalismo, Churchill sentia-se a própria personificação dos interesses universais do Império Britânico, enquanto o todo-poderoso Stálin era o arauto da revolução proletária e da luta anticolonialista, subversões que vinham abalando o mundo desde 1917. Um deles, o inglês, lutava para manter um império, enquanto os outros dois lançavam-se para ampliar seus próprios domínios.

Teerã, dezembro de 1943

Stálin, ao longo de 1943, protelou o quanto pôde o encontro com Roosevelt e Churchill, pois temia que os japoneses, então em acirrada luta contra os EUA e a Grã-Bretanha, mas que não estavam em guerra contra a União Soviética, vissem a reunião como um ato hostil. Tudo que Stálin não queria era ter de se preocupar com uma frente de batalha no Pacífico. Ao esticar ao máximo a data do encontro, finalmente marcado para o fim de novembro de 1943, Stálin acabou beneficiado pelos acontecimentos.

Ao contrário de Estados Unidos e Grã-Bretanha, que até então tinham no currículo da Segunda Guerra vitórias militares em frontes secundários, como o norte da África e a Sicília, os trunfos de Stálin eram de impor respeito. O resultado da invasão alemã na União Soviética, iniciada em junho de 1941, havia sido muito diferente da guerra relâmpago travada contra poloneses, holandeses e franceses. As enormes distâncias da Rússia, a falta de estradas para um exército mecanizado e a resistência intensa e desesperada dos soldados soviéticos contribuíram para que os invasores não conseguissem conquistar nem Moscou nem Leningrado, a ex-capital que foi sitiada por 900 dias. O ponto culminante da resistência aconteceu na batalha de Stalingrado, travada entre 19 de agosto de 1942 e 2 de fevereiro de 1943, quando 100 mil alemães esfomeados e quase mortos de frio renderam-se ao general Zhukov. O mundo inteiro sentiu que o destino da guerra na Europa seria outro a partir daquele momento: Hitler não venceria.
A Alemanha não se recuperou das perdas que sofreu – meio milhão de homens e um número incalculável de equipamento bélico.

A esse triunfo espetacular, o Exército Vermelho acrescentou outro, a vitória em Kursk, na Ucrânia, em agosto de 1943. Na batalha, tida como o maior duelo de tanques travado em toda a história, os soviéticos provaram que podiam derrotar os alemães em pleno verão. Assim, Stálin tornara-se o personagem principal daquele primeiro encontro. Foi ele quem escolheu Teerã, alegando que não podia afastar-se muito do front. E a pergunta no ar era até onde Stálin iria após expulsar os nazistas e seus aliados do solo soviético.

A primeira preocupação de Churchill, naquela manhã fria, era descobrir os planos soviéticos para a Polônia, rota natural para alcançar Berlim e destruir o regime de Hitler. O premier queria uma Polônia livre, mas Stálin deixou claro que não permitiria a instalação de um regime hostil ao comunismo e que pretendia manter o controle sobre o leste do país, oferecendo em troca parte dos territórios que fossem tomados da Alemanha para acomodar os poloneses refugiados. Churchill não estava em posição de discordar e Roosevelt parecia mais preocupado em deter a sanha imperial do inglês, do que com o destino dos poloneses.

Roosevelt propôs – e os outros dois aceitaram – a tese da “rendição incondicional”, isto é, os alemães teriam que depor as armas sem nada exigir. Os aliados não aceitariam acordos. Stálin reclamou que lutava sozinho uma guerra pelo destino de todos e conseguiu dos dois outros líderes o compromisso de abrir um segundo front em maio do ano seguinte. A promessa era música para os ouvidos de Stálin, mas não seria cumprida.

Ficou combinado que os “Três Grandes”, como passaram a ser chamados pela imprensa, forneceriam armas à guerrilha iugoslava que resistia nos Bálcãs ao cerco de 200 mil soldados alemães. Antes da despedida, Churchill presenteou Stálin com uma espada cravejada de jóias, homenagem à vitória em Stalingrado.

Ialta, fevereiro de 1945

A península da Criméia, situada no mar Negro, ligada à Ucrânia pelo istmo de Perekop, é um pedaço de terra que poucas vezes esteve em paz. Várias vezes invadida e conquistada, permaneceu durante séculos território dos tártaros até que os russos os derrotaram, em 1783.
Entre junho e julho de 1942, a cidade de Sebastopol fora submetida a um implacável sítio quando mais de 560 mil obuses desabaram sobre ela. Consideravam-na “a maior fortaleza do mundo” até que as resistências do general Petrov cederam e Sebastopol rendeu-se aos alemães. A região só fora reconquistada pelos russos no verão de 1944. Quando, depois de uma cansativa viagem, Churchill desceu do avião no aeroporto de Sebastopol, base aeronaval soviética na Criméia, em fevereiro de 1945, viu-se cercado por ruínas. A pobre península parecia um queijo suíço de tão esburacada.

O premier britânico odiou o trajeto percorrido de automóvel até Ialta, local da segunda cúpula dos Três Grandes, realizada entre os dias 7 e 11 de fevereiro de 1945. Tratava-se de uma antiga estação de veraneio da família do czar, situada bem no sul da península da Criméia. Ali, em meio a uma paisagem deslumbrante, ao silêncio e ao clima ameno, Roosevelt, Churchill e Stálin decidiriam o destino de nações e de centenas de povos. Os três estadistas controlavam um território descomunal. Incluindo o domínio da Grã-Bretanha sobre as suas 51 colônias espalhadas pelos mundo, somadas ao território americano e ao soviético, os três exerciam sua soberania sobre mais de 55 milhões de quilômetros quadrados, habitados por um terço da população da Terra. Formavam um clube fechado no qual somente entravam, como exigia Stálin, “quem tivesse mais de 5 milhões de soldados”.

Até aquela altura tudo parecia andar bem para os Três Grandes. As vitórias soviéticas ao longo de 1944 tinham sido impressionantes. Uma enorme linha de frente, com mais de 2 700 quilômetros de extensão, partia das águas geladas do mar Branco, no norte da URSS, estendendo-se até as estepes quentes do sul da Ucrânia. Como um implacável rolo compressor de tanques, aviões, canhões e tropas de infantaria, os russos haviam empurrado e parcialmente destruído quase todas as divisões alemãs, italianas, croatas, romenas e húngaras, colocando-as em debandada para fora do território soviético.

Na frente ocidental, após a bem-sucedida operação de desembarque aliado na Normandia no Dia D, em 6 de junho de 1944, quando a Muralha do Atlântico de Hitler foi violada, tudo corria bem. Os nazistas cederam à articulação de milhares de bocas de canhões dos 1 200 navios de guerra das Marinhas americana e britânica, com as esquadrilhas de bombardeios com 3 500 aviões. Em seguida deu-se o assalto às praias da Normandia, tomadas por 90 mil combatentes. E aquela era apenas a vanguarda dos 2 milhões de soldados, das mais diversas nacionalidades, que chegariam ao continente europeu nos meses seguintes. As forças nazistas estavam sendo esganadas, na expressão de Churchill, por “um cinturão de ferro e aço”. A vitória era questão de tempo.

As notícias do front faziam a conferência em Ialta parecer uma mistura de comemoração com leitura de testamento. As reuniões foram estabelecidas num horário que agradou Churchill: às 5 horas da tarde. O premier detestava acordar cedo e costumava despachar do leito, onde ficava até o meio-dia. Roosevelt também parecia feliz, lisonjeado por ter sido apontado por Stálin como árbitro entre os dois superpoderes europeus, o Império Britânico e a União Soviética.

A principal proposta em discussão era a idéia de Churchill de estabelecer uma política de zonas de influência sobre as áreas liberadas ou a serem liberadas. Por um acordo prévio com Moscou, de outubro de 1944, os britânicos ficariam com a Grécia e metade da Iugoslávia, enquanto Stálin teria domínio quase integral sobre Hungria, Romênia e Bulgária. A questão mais polêmica era a da Polônia. Churchill alegou que a Grã-Bretanha fora à guerra em 1939 para defender a soberania polonesa e não poderia aceitar que aquele país, em véspera de ser ocupado pelo Exército Vermelho, ficasse na órbita soviética.

Stálin retrucou que não se tratava de uma questão de honra, mas sim de segurança. Milhões de russos morreram durante a invasão alemã e grande parte graças a um ataque surpresa que partira do território polonês. Além disso, alegou que britânicos e americanos, quando ocuparam a Itália, não o chamaram para discutir como seria o regime pós-fascista. Stálin não cederia e, de fato, anunciou que já havia criado o Comitê Nacional de Lublin, formado por exilados poloneses refugiados em Moscou, que assumiriam o controle do país. O máximo que Churchill conseguiu foi um compromisso de Stálin para realizar eleições livres na Polônia, assim que a Alemanha fosse derrotada. Também eram polêmicas as questões de limites entre Iugoslávia, Itália, Bulgária e Áustria e da necessidade de a Turquia participar da etapa final do conflito. Stálin apresentou suas exigências no Extremo Oriente.

Para lutar contra o Japão, queria em contrapartida que os “direitos russos” na região (Mongólia e ilhas Sakalinas e Kurilas, perdidas na guerra russo-nipônica de 1904) fossem restaurados e ampliados.
Churchill desistira de cobrar de Roosevelt uma intervenção conjunta nos territórios libertados. Depois de um encontro em outubro, convencera-se de que os americanos preferiam ver os soviéticos controlando os territórios que libertassem do que manter suas tropas na Europa. Roosevelt acreditava na coexistência pacífica com a URSS e disse a Churchill em Ialta que não pretendia acampar no continente muito além de dois anos.

A ocupação conjunta só foi consenso em relação à Alemanha. O país seria dividido em quatro – além dos Três Grandes, a França também controlaria uma parte. Stálin propôs que os alemães indenizassem todos os países atacados desde 1939: usinas, equipamentos industriais, máquinas, navios, tudo seria repartido e 50% ficaria com URSS. Os alemães teriam seus investimentos no estrangeiro expropriados e entregariam as colheitas e permitiriam o uso de sua força de trabalho para reparar os estragos.

Mais radical foi a proposta de Henry Morgenthau, o secretário do Tesouro americano, que defendia a “pastorilização” da Alemanha, isto é, fazê-la voltar à Idade Média, com a remoção completa do parque industrial. Para Roosevelt, a dieta dos alemães deveria ser “sopa de manhã, sopa no almoço e sopa na janta"”. O país seria dirigido por um Conselho de Controle e os criminosos de guerra, julgados num tribunal especial.

Potsdam, julho de 1945
Nos anos seguintes, tornaram-se comuns as críticas à postura de Roosevelt em Ialta. Políticos conservadores o acusaram de ter entregue o Leste Europeu aos soviéticos, acusação de certo modo endossada por Churchill. Roosevelt, no entanto, não pôde se explicar: ele morreu em 12 de abril de 1945, três meses depois.

O fato é que ninguém entregou nada a Stálin. Foi o Exército Vermelho que, na perseguição aos nazistas, levou tudo de roldão. Em 27 de fevereiro de 1945, tropas soviéticas invadiram a Romênia e instituíram um governo pró-comunista. No dia 2 de maio, quando Berlim foi capturada, Bulgária, Polônia, Hungria e Checoslováquia já estavam sob controle de governos alinhados com Moscou.

Na grande política tudo é simbólico. Se Stálin, anteriormente, marcara a cúpula dos Três Grandes para Ialta, local onde o czar passava as férias, de certo modo queria que seus aliados o vissem como o herdeiro legítimo do Império Russo e não um bandoleiro caucasiano, como muitas vezes fora apresentado pela imprensa ocidental. Por isso, quando foi encerrada a guerra contra Hitler e procurou-se um lugar para o reencontro dos vencedores, a escolha recaiu sobre Potsdam. Distante cerca de 20 quilômetros de Berlim, era a morada dos antigos reis prussianos, algo como uma Versalhes na província de Brandemburgo, no coração da antiga Prússia.

Havia sido o refúgio preferido de Frederico, o Grande, que lá construíra o belíssimo palácio de Sans Souci, marco do esplendor de seu reinado. Para os três estadistas que lá se reuniram no verão de 1945, Winston Churchill, Joseph Stálin e Harry Truman (antigo vice-presidente de Roosevelt), melhor escolha não havia para sepultar para sempre a ameaça belicista alemã. Os vitoriosos reuniram-se sobre a tumba dos antigos soberanos da Alemanha derrotada.

Apesar da desolação em que Berlim se achava, Potsdam ainda mantinha a maioria dos seus prédios históricos – saqueados, mas em pé. O discreto mas amplo palácio de Cecilienhof, terminado em 1917, serviu para acolher, a partir de 17 de julho de 1945, os Três Grandes e suas numerosas equipes diplomáticas.

Coube a Harry Truman capitanear as reuniões. Ex-dono de camisaria de Kansas City que chegara à Casa Branca por esses acasos da política, Truman nunca havia sido intimado nos assuntos de governo por Roosevelt, que o considerava insignificante. Assim, era visível seu embaraço diante daquela situação nova. Porém, apesar de matuto e inexperiente, ele era um político de sorte. Um dia antes da reunião, recebeu a notícia do sucesso da explosão da primeira bomba atômica, no deserto do Novo México. Para alguns historiadores, a Guerra Fria começou ali, pois os EUA, com tal poder de destruição, não viam mais motivos para dividir com os soviéticos o controle do mundo no pós-guerra.

Churchill, por sua vez, líder do Partido Conservador, foi surpreendido pela derrota eleitoral frente aos trabalhistas em 26 de julho, o que implicou sua imediata substituição do cargo de primeiro-ministro. Sua presença na cúpula foi apenas como enviado do governo.
Em Potsdam, os Três Grandes afirmaram a sentença final da Alemanha nazista. O país seria ocupado pelos aliados e administrado pelos comandantes militares das quatro zonas (americana, britânica, francesa e soviética), que supervisionariam a remoção da indústria e do material bélicos. Cada aliado extrairia as reparações das respectivas zonas – Stálin, como conquistara a Alemanha Oriental, basicamente agrária, exigiu participação no espólio ocidental – e a população alemã seria deslocada dos territórios orientais, entregues aos poloneses.

Técnicos e diplomatas definiram as fronteiras da Europa Central e dos Bálcãs, embora não houvesse representantes desses países na conferência. A declaração final era um ultimato aos japoneses. Ou o imperador Hiroito rendia-se incondicionalmente, ou o Japão seria destruído.

A reunião de Potsdam foi mais longa do que as outras. A situação de paz na Europa permitiu que os Três Grandes pudessem detalhar com mais precisão as decisões. Afinal, tiveram 16 dias para isso, só voltando para casa a partir de 2 de agosto. Ninguém soube dizer se a expressão inalterada de Stálin, quando Truman falou-lhe da bomba atômica, deveu-se a ele já saber do artefato nuclear ou se não se deu conta da potencialidade daquilo. Seja como for, a posse daquela terrível arma deu a Truman, um homem apagado, o degrau necessário para fazer dele um gigante, pronto para enfrentar os soviéticos em escala planetária.

Fonte: http://guiadoestudante.abril.com.br/

domingo, 29 de junho de 2014

1 Guerra mundial. Uma “guerra agendada” ou uma catástrofe inesperada?

história, sérvia, bósnia, francisco fernando, primeira guerra mundial
Na foto: Francisco Fernando minutos antes do atentado
Leia mais: http://portuguese.ruvr.ru/news/2014_06_28/uma-guerra-agendada-ou-uma-catastrofe-inesperada-9040/

Há 100 anos, no dia 28 de junho de 1914, na cidade bósnia de Sarajevo soaram os tiros que mataram o arquiduque da Áustria Francisco Fernando e que deram o sinal de partida para a mudança de épocas.

Decorrido pouco mais de um mês, a humanidade já tinha mergulhado no turbilhão da Primeira Guerra Mundial, na qual pereceram três dos impérios mais importantes daquele tempo: o Império Russo, o Império Austro-Húngaro e o Império Otomano. Como pôde um simples atentado ter tido consequências tão globais?
Nos últimos anos temos assistido a um processo de “reconsideração” do problema das origens da Primeira Guerra Mundial. O objetivo é a tentativa de proclamar a Sérvia, e a Rússia que a apoiava, como as principais culpadas desse conflito militar e colocar na sombra os planos próprios de Berlim, Viena, Londres, Paris e de outros intervenientes políticos para uma nova divisão das esferas de influência mundiais, para a conquista das fontes de matérias-primas e pelo controle das vias de comunicação.
É evidente que o reconhecimento do papel decisivo da Tríplice Aliança (Alemanha, Áustria-Hungria e Itália) no eclodir da Primeira Guerra Mundial cria analogias, desfavoráveis para o Ocidente, com as atuais tentativas dos EUA, da OTAN e de outros países e estruturas para redesenhar o mapa do mundo da forma que mais lhes convém. Daí a tensão sem precedentes existente nas discussões dos acontecimentos de 100 anos atrás, porque as abordagens da historiografia da Primeira Guerra Mundial estão intimamente ligadas aos processos políticos.
As tentativas para atribuir a responsabilidade principal pelo início da Primeira Guerra Mundial à Sérvia e à Rússia, nomeadamente, coincidem de forma ilustrativa com o processo de um novo aumento do poderio econômico e das pretensões geopolíticas da Alemanha.
Nas duas últimas décadas na Alemanha tem sido observada uma clara tendência de abandono da herança da “escola de Fischer”, que existe na Alemanha desde os anos de 1960. Fritz Fischer, um dos maiores historiadores alemães, provou de forma convincente que foi precisamente a Alemanha que envolveu a humanidade na Primeira Guerra Mundial para que fossem redesenhadas as esferas de influência, para a conquista de colônias e de fontes de matérias-primas.
É significativo que não se conseguiu encontrar nenhuns novos documentos que permitissem desresponsabilizar Berlim de ter iniciado a Primeira Guerra Mundial. Contudo, são muito usados paralelismos históricos mais que duvidosos com os dias de hoje.
Aliás, isso é um pecado comum tanto aos historiadores norte-americanos, como britânicos. O historiador britânico Chris Clark, por exemplo, usa como argumento a favor de uma revisão da concepção estabelecida sobre as raízes históricas da Primeira Guerra Mundial até os trágicos acontecimentos ocorridos na cidade bósnia de Srebrenica no verão de 1995. Clark considera que são precisamente esses acontecimentos que obrigam a rever radicalmente o papel histórico da Sérvia na Europa, assim como o da Rússia sua aliada.
O que podemos dizer sobre essa “inovação”, que adultera a própria essência das analogias históricas? Analisemos os documentos deste período que nos interessa. É útil recordar, nomeadamente, que o Estado-Maior da Áustria-Hungria tinha planos detalhados para a invasão preventiva simultânea da Sérvia e da Rússia já em 1912, ou seja, quase dois anos antes do assassinato de Sarajevo. Mas como justificação para esse tipo de operação era necessário um pretexto que responsabilizasse a Rússia e a Sérvia pela guerra.
O chefe do Estado-Maior do exército alemão Helmuth von Moltke indicava numa carta ao seu homólogo austro-húngaro: “É necessário encontrar um pretexto para a guerra, é preciso manobrar para que esse pretexto surja dos eslavos.” Esse pretexto (e não o motivo!) foram precisamente os disparos feitos em junho pelo nacionalista bósnio Gavrilo Princip.
Os próprios documentos de Viena e de Berlim fundamentaram precisamente as decisões da Conferência de Paz de Paris e do Tratado de Versalhes de 1919. O artigo 231 desse documento responsabilizou completamente a Alemanha e seus aliados pela Primeira Guerra Mundial. O artigo 227 acusou o imperador Guilherme II da Alemanha dos crimes contra a “moral internacional” e exigiu seu julgamento como “criminoso de guerra”.
É óbvio que a história da Primeira Guerra Mundial ainda esconde muitos mistérios. No plano do esclarecimento dos motivos da Primeira Guerra Mundial podemos falar do debate entre as duas concepções principais.
A primeira fala de uma “guerra agendada” (War by Timetable) – um conceito introduzido em 1969 pelo historiador britânico A.J.P. Taylor.
Os seus adversários insistem que o confronto generalizado europeu resultou de uma cadeia de casualidades trágicas, da desconfiança entre as potências e da ausência de coordenação entre os monarcas.
Contudo, os apoiantes de ambas as concepções são unânimes em afirmar que as contradições dessa altura entre as grandes potências dificilmente poderiam ser resolvidas pela via pacífica. Negar esse fato, e sobretudo tentar acusar de tudo a Sérvia e a Rússia, será negar a objetividade de um processo histórico.

sábado, 28 de junho de 2014

1ª Guerra: o carro onde tudo começou

Modelo austríaco foi palco do assassinato do arquiduque Franz Ferdinand em 1914, que deu origem a conflito


 - Heinz-Peter BaderReuters

Poucos podem saber, mas a sucessão de fatos que levou à Primeira Guerra Mundial começou a bordo de um histórico Gräf & Stift Bois de Bologne conversível de 1911, onde o arquiduque Franz Ferdinand da Áustria foi assassinado em Sarajevo, então capital da província da Bósnia e Herzegovina, parte integrante do Império Austro-húngaro. O crime aconteceu em 28 de junho de 1914, exatos 100 anos atrás e é tido como o início da Guerra.

Esse carro estará exposto no Museu de História Militar de Viena, na Áustria a partir de hoje. A Gräf & Stift produziu carruagens motorizadas de luxo entre 1903 e 1938, quando passou a se dedicar exclusivamente à produção de ônibus e caminhões. As atividades seguiram até 2001, já sob a batuta da MAN.


Fonte: http://www.estadao.com.br/

sexta-feira, 30 de maio de 2014

A serviço do nazismo

Livro conta como as mulheres abraçaram a causa e exterminaram judeus na II Guerra Mundial

Por::RENATO GRANDELLE 


RIO - Liesel Wilhaus era a ambiciosa filha de um comerciante de Saarland, no Sudoeste da Alemanha. Em 1942, ela finalmente teve a oportunidade de deixar a classe trabalhadora. Seu marido, Gustav Wilhaus, assumiu o comando do campo de concentração de Janowska, na Polônia. Liesel ocupou-se em reformar o casarão onde foram morar. Na varanda recém-construída no segundo andar, começou a praticar um “esporte”: testava sua pontaria com um rifle, matando os judeus que passavam pelo quintal. A filha Heike, ainda criança, era sua maior admiradora. Liesel é só um exemplo de um capítulo ainda pouco estudado da História do nazismo: a participação das mulheres no regime de Hitler.
Testemunhas, cúmplices e assassinas eram regidas pela mesma ideologia. Deveriam aceitar a superioridade masculina, manifestar devoção cega e pôr o corpo à disposição do Reich. O direito delas ao voto foi cassado ainda em 1933, ano em que Hitler chegou ao poder, mas não houve qualquer protesto — o inimigo não era o novo governo, mas a ameaça de que uma suposta igualdade entre homens e mulheres levasse ao bolchevismo.
 

O movimento nazista iria “emancipar a mulher da emancipação feminina” — descreve a historiadora americana Wendy Lower, consultora do Memorial do Holocausto dos EUA e autora do livro “As mulheres do nazismo” (Ed. Rocco), que será lançado na semana que vem. — A propaganda se destinava a trazer de volta as mulheres aos domínios privados de Kinder, Kücher e Kirche, ou seja, crianças, cozinha e igreja.
A formação escolar foi obscurecida em nome de outras prioridades. O treinamento físico da Liga de Meninas, que incluía marchas e exercícios de tiro, eram mais importantes do que disciplinas tradicionais. Os livros foram trocados por panfletos sobre como escolher um marido. A primeira pergunta ao possível parceiro era “Qual é a sua origem racial?”.
A maior contribuição feminina ao Reich era a maternidade. Hitler chegou a declarar que a mãe de seis filhos era mais importante do que uma advogada.

— Nunca antes as mães alemãs tiveram tamanho reconhecimento e status de celebridades, em cerimônias em que mães de mais de quatro filhos eram agraciadas com a Cruz de Honra — lembra Wendy, referindo-se a uma das maiores condecorações do país.
A reprodução, porém, tinha suas ressalvas. As mulheres não podiam se casar com judeus, nem criar filhos com alguma doença considerada genética. Neste caso, eram pressionadas a entregar os filhos a supostas clínicas pediátricas, onde eram mortos. Este foi o destino de pelo menos 8 mil crianças na Alemanha e na Áustria.
Reféns das parteiras
Entre as profissões de maior expansão na época estavam as de parteira e de cuidadora de crianças. Ambas tinham grande poder sobre as mães. Denunciavam o nascimento de bebês de raça não ariana — o que poderia levar à esterilização da mulher — e, baseadas em árvores genealógicas, nas feições faciais e no formato da cabeça, identificavam crianças “sub-humanas”.

— Namorar um judeu ou um cigano significava contribuir para a degeneração da raça ariana — explica Estevão Martins, professor do Departamento de História e Relações Internacionais da UnB. — Era uma falha tão grande que a mulher era obrigada a passar por um programa de doutrinação.
Com a partida dos soldados para o front, a maquinaria burocrática foi assumida pelas mulheres. Secretárias e datilógrafas passavam ordens de oficiais às linhas de frente da batalha, contribuindo indiretamente para o desempenho alemão na guerra e para o Holocausto. Outras, atraídas pela imponência do uniforme militar e por um salário relativamente generoso, assumiram modestas funções nos campos de concentração — até o fim da guerra, as posições de comando sempre foram exercidas por homens.
Uma das mulheres que mais se dedicaram à matança de judeus foi Johanna Altvaver, de 22 anos, que trabalhou entre 1941 e 1943 em um gueto próximo à cidade de Volodymyr-Volynsky, na fronteira da Ucrânia com a Polônia. Seu alvo preferido eram as crianças. Altvaver costumava atraí-las com doces. Quando elas se aproximavam, a alemã atirava na boca da criança com sua pistola de prata.
Em um rompante de raiva, invadiu o prédio que servia de hospital do gueto e, no terceiro andar, onde funcionava a enfermaria infantil, atirou diversas crianças da sacada. Aquelas que sobreviveram à queda foram levadas para um caminhão e, dali, teriam sido jogadas em valas comuns na periferia da cidade.
Natural de Hamburgo, Vera Wohlauf não precisou vestir uma farda para extravasar seu sadismo. Seu marido, Julius Wohlauf, oficial da SS, o serviço secreto alemão, foi escalado para comandar, entre 25 e 26 de agosto de 1942, a deportação de 11 mil judeus do gueto polonês de Miedzyrzec-Podlaski. Vera, que estaria grávida, deveria contentar-se em assistir ao massacre. Em vez disso, surpreendeu os outros militares ao circular entre os judeus e chicoteá-los. Depois, quando a perguntaram sobre a morte de quase mil pessoas, ela descreveu o episódio como um “assentamento pacífico, quase idílico para um campo de trabalho do Leste”.
Longe da burocracia e dos guetos, poucas figuras femininas se destacaram no nazismo. A última secretária pessoal de Hitler, Traudl Junge, escreveu sua autobiografia em 2002, em que alegou desconhecer as barbaridades idealizadas pelo líder nazista.
O relacionamento de Hitler com sua amante, Eva Braun, é enigmático. Eles nunca foram vistos juntos em público e o povo alemão só soube do caso anos após a morte dos dois.
Para Ana Maria Dietrich, autora do livro “Caça às suásticas” (Ed. Imprensa Oficial), a liderança do Führer provocou a admiração de outras mulheres.

— Acredito que a figura de Hitler possa ter sido sensualizada pelas mulheres — avalia. — Até hoje mistérios como a sua relação com Eva Braun ajudam a manter esse interesse feminino pelo Führer.
As mulheres do escombro
Após a guerra, a maioria das mulheres envolvidas com o Reich reconstruiu tranquilamente as suas vidas. Os tribunais de desnazificação — que investigavam os crimes cometidos durante a ditadura de Hitler — concluíram que as mulheres, por ocuparem cargos de baixo escalão na burocracia estatal, não eram uma ameaça à sociedade alemã. De fato, a “mulher do escombro”, aquela que varre as cidades destruídas, tornou-se o símbolo da reconstrução do país. Elas recuperaram seu direito de votar em 1949.

— A Alemanha estava de joelhos, sem horizonte diante de uma ideologia fracassada — conta Martins. — A luta pela sobrevivência era permanentemente renovada. Todos deveriam trabalhar, reconstruir a partir das ruínas.

— O suporte da mulher a feridos e prisioneiros na guerra mostrou como ela não deveria se restringir ao lar 

— ressalta Ana Maria.
As alemãs que passaram pelos tribunais eram julgadas quase aleatoriamente. Dependendo de sua reação às acusações, poderiam ser chamadas de monstruosas ou inocentes. Muitas que fugiram da Alemanha foram forçadas a voltar ao país, mesmo já idosas. Outras envolvidas diretamente com os crimes escaparam porque mesmo o Judiciário estava repleto de ex-nazistas. Foi o ponto final de uma era caótica em que as mulheres foram convencidas de que até a maternidade deveria estar sob a égide do Estado.


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quinta-feira, 22 de maio de 2014

Judeu brasileiro estrangulou dezenas de nazistas, revela livro

Autoridades alemãs e israelenses participam de ato em memória dos 40 anos do massacre das Olimpíadas de Munique.

Zvi Steinberg é um nome completamente desconhecido dos brasileiros, mas até hoje é adorado, venerado e mesmo invejado --em segredo-- por muitos judeus. Zvi era um brasileiro que, com as próprias mãos, estrangulou dezenas de nazistas a partir de 1945. Sua técnica mortal, precisa e rápida foi mantida em segredo por muito tempo.

Ele tinha 36 anos quando passou a agir com as células de extermínio de nazistas, mas há poucas informações além disso. Sabe-se, porém, que era brasileiro e que fez parte do embrião do Mossad israelense, talvez o mais  eficiente serviço de inteligência e ação militar do mundo. É o que conta o escritor Eric Frattini no livro "Mossad , Os Carrascos do Kidon", recém-lançado no Brasil pela editora Seoman.

Apesar de ter contado com a ajuda de muitas autoridades israelenses, inclusive do próprio Mossad, houve um grande lobby em Israel para que o livro não fosse lançado lá. "Mossad" é um assunto proibido naquele país. A sociedade respeita demais a organização para querer comentá-la publicamente, ou que outros façam isso.

Eric Frattini revela que no fim e logo depois da 2ª Guerra, militares judeus se uniram em inúmeras células e deram início a um  processo de vingança sistemática contra os alemães nazistas, que haviam exterminado milhões de judeus em ataques com armas, incêndios criminosos e em campos de concentração. Boa parte deles ou ainda estava solta ou mofava lentamente em prisões controladas pelos Aliados.

Baseados na lei do Velho Testamento --olho por olho e dente por dente--, os judeus não esperaram nenhuma providência por parte dos Aliados, que estavam mais preocupados em esquecer o medonho passado recente e fornecer dinheiro emprestado (a juros, claro) para a reconstrução da Europa e do Japão, destruídos. Além disso, tinham de enfrentar o mais novo inimigo, a poderosa União Soviética.

Acontece que judeus não são de esquecer, ainda mais quando sofrem infâmia e tentativas de extermínio. E nada de prato frio. Trataram de comer sua vingança fumegando, mesmo sabendo que ela não seria nem sequer um resíduo perto do massacre de milhões de compatriotas assassinados nas décadas anteriores.

Desde 1944, algumas células incipientes já faziam incursões específicas contra casas e abrigos de  nazistas --então deprimidos e certos da derrota-- para promover a resposta a mais de uma década de confisco, torturas e assassinatos.   

Assim que o conflito acabou,  em 1945, esses grupos se organizaram e, sistematicamente, saíam todas as noites atrás de nazistas. "Aqueles que nunca esquecem", deixavam escrito em bilhetes perto dos corpos dos  abatidos.

Um dos casos mais impressionantes (e pouco conhecidos) ocorreu em Nuremberg, quando judeus se inflitraram numa padaria que fornecia pães a 15 mil oficiais nazistas mantidos em cárcere por soldados dos EUA. Os judeus obtiveram dois quilos de arsênico  e passaram uma madrugada pincelando com o veneno cerca de 3.000 pães.

Contabilizavam que se cada pão --único alimento servido na prisão-- fosse dividido por três prisioneiros, envenenariam ao menos 12 mil nazistas.

Ninguém sabe até hoje quantos morreram, os Aliados jamais revelaram. Sabe-se que entre 3.000 e 5.000 foram envenenados, mas muitos foram salvos por médicos norte-americanos. Outros sofreram graves sequelas.

Morte em segundos
O brasileiro Zvi Steinberg foi um dos mais eficientes no quesito "eliminação". Chegou a matar um nazista com apenas uma mão. Esmagou-lhe a traquéia quando este estava calmamente sentado em seu carro, como um justo. Com um movimento rápido, Zvi enfiou a mão dentro do carro, fez o "serviço" e foi embora em segundos. Só descobriram o corpo horas mais tarde, quando ele estava muito longe.

Outra história relatada no livro, desabonadora para o Brasil, afirma que militares brasileiros não só ajudaram a abrigar dezenas de nazistas, mas também deram a eles novos documentos.

Frattini teve acesso inédito a documentos das FDI (Forças de Defesa de Israel), do FBI, de alguns arquivos históricos do próprio Mossad e dos serviços de Inteligência da Jordânia, da Austrália e da França.

Diferentemente de boa parte dos livros que tratam de espionagem (basta ver a extensa bibliografia "chapa branca" que existe sobre CIA e FBI, por exemplo), o livro do espanhol  esmiúça não só as glórias, mas também os enormes erros cometidos pelo Mossad.

São 16 operações relatadas em 357 páginas de texto e 26 páginas de fotos com os protagonistas --mocinhos e bandidos. Não há foto do brasileiro Zvi e nenhum detalhe sobre sua biografia. Além do livro de Frattini, ele é citado "en passant" em alguns verbetes na internet sobre o Mossad e em alguns poucos textos israelenses. No entanto, é uma espécie de mito para o povo judeu.

Militares brasileiros pró-nazistas
Sobre o Brasil, o livro afirma que nossos militares, por meio de seus embriões de serviços de inteligência nos anos 1950 e meados de 1960, e depois por meio do Doi-Codi, providenciaram identidades e passaportes falsos, além de protegerem muitos oficiais nazistas que fugiram da Alemanha a partir de 1945.

Sobra, inclusive, para  o Vaticano. Segundo documentos oficiais obtidos por israelenses, todos pesquisados pelo escritor, a Santa Sé foi a maior emissora de passaportes falsos a nazistas do mundo. Foram milhares. Os alemães escapavam em embarcações, faziam inúmeras escalas para despistar eventuais espiões e quase sempre acabavam em algum país comandado por ditadores, na América do Sul.

Exceto os nazistas considerados gênios da matemática, da física e da química. Esses foram diretamente para os Estados Unidos, onde também receberam proteção e novo emprego: foram fundamentais para o desenvolvimento do programa espacial dos EUA.  Brasil, Argentina e Bolívia, no entanto, receberam a escória da escória. Além de maléficos, uns inúteis.

Um dos "protegidos" dos militares brasileiros", diz Frattini, foi o demoníaco Josef Mengele, chamado de o "anjo da morte" -- um epíteto injusto até, pois foi bem pior que isso.

Durante anos Mengele fez as mais inconcebíveis e estarrecedoras experiências médicas (sic) com judeus no papel de cobaias. Transplantes de órgãos de animais em pessoas, implantação de objetos, aplicação de substâncias mortais, esquartejamentos e dissecações foram alguns de seus "experimentos". Tudo para simplesmente para "ver reações" fisiológicas.

O perverso Mengele morreu afogado, em Bertioga, em 1979. O longo braço de Israel não o apanhou.

Nesse trecho do livro Frattini comete um erro ao creditar ao Doi-Codi todo o aparato de proteção aos nazistas que existiu no Brasil. Acontece que esse orgão de repressão só foi criado no final dos anos 1960, em plena ditadura militar, a partir da chamada Oban (Operação Bandeirante). Mas a essência está correta: alguns militares na América do Sul, como hoje é sabido, ajudaram nazistas a escapar da Alemanha e a se esconder  no continente.

Livro parece filme de ação
Qualquer uma das 16 histórias relatadas na obra poderia se tornar um eletrizante filme de ação. Algumas, inclusive, já viraram, como "Munique", de Steven Spielberg, e "Eichmann", do diretor Robert Young.

Entre os raros erros do Mossad relatados estão o assassinato na Noruega de um inocente garçom marroquino, confundido com um dos "cabeças" do massacre de judeus na Vila Olímpica de Munique, em 1972.

Outro caso descrito como um verdadeiro thriler de ação foi a trapalhada de agentes secretos judeus que envenenaram um terrorista em plena rua, na Jordânia. Os "kidon" (que significa baioneta) usaram um aerossol com veneno e o aplicaram no ouvido do terrorista, mas acabaram apanhados pela polícia local.

Com dois agentes ameaçados pessoalmente pelo rei Hussein (1935-1999) de enforcamento, Israel teve de providenciar às pressas o antídoto para o veneno e amargar um novo fracasso.

Muita gente ao redor do mundo critica essa política de olho por olho e dente por dente. Dizem que, se essa máxima se espalhar, o mundo terminará com todos cegos e banguelas.

De fato. Mas quem pode controlar o sentimento de vingança de um povo que foi perseguido durante toda a história e que foi dizimado sob tanta crueldade, ignorância e silencio do resto do mundo? Pior: sabendo que esses mesmos Aliados ainda forneceriam guarida e proteção aos assassinos, que morreriam em liberdade e provavelmente em paz?

Foto de arquivo sem data mostra o oficial do Partido Nazista e chefe da SS, Heinrich Himmler, em local desconhecido na Alemanha.










Sim, os "kidon" formavam e ainda formam um esquadrão da morte, agem fora das leis internacionais e muitas vezes operam inclusive sem qualquer autorização em outros países, inclusive inimigos. Podem estar caçando nazistas neste momento, no Brasil, e jamais saberemos. Alguém se habilita a (tentar) apanhá-los?

Heinrich Himmler (1900-1945), comandante nazista e braço operacional de Hitler, certa vez fez troça do massacre que seus homens perpretavam. Ele comparou o massacre de judeus a uma simples matança de "ratos de esgoto".

Porém, assim como o "patrão" Hitler, quando a guerra acabou ele não teve coragem de enfrentar os sobreviventes entre aqueles que chamou de roedores. Preferiu dar cabo da própria vida na prisão. Nem coragem para ser enforcado ele teve. Fugiu da vida antes que o longo braço de Israel o alcançasse.

Quantos outros Himmlers ainda não estão por aí, vivos e envelhecendo como justos? Bem, há aqueles que nunca esquecem.

Livro: "Mossad - Os Carrascos do Kidon - A história do Temível Grupo de Operações Especiais de Israel".

Fonte:http://noticias.uol.com.br